O Dimetil Sulfóxido (DMSO) é um composto químico orgânico de fórmula C2H6SO (Rosenbaum, 1965), peso molecular 78 (Carpenter, 1994) e temperatura de congelamento de 18,5°C (Brayton, 1986). Já foram verificadas mais de trinta propriedades farmacológicas e terapêuticas do DMSO as quais resultam da sua capacidade de interagir ou combinar com carboidratos, lipídeos, proteínas e muitas drogas sem alterar de forma irreversível a combinação molecular (Sojka et al.1990). Essas propriedades garantem seu reconhecimento como uma droga das mais versáteis utilizada tanto em seres humanos como em animais há mais de 60 anos (Adamson et al. 1966). Dentre as suas diversas aplicações, podemos citar como principais:
1) Penetração e difusão nos tecidos e fluidos animais;
2) Carreadora: devido a intensa capacidade de penetração, muitas substâncias quando associadas ao DMSO podem ser carreadas através de membranas;
3) Imunomoduladora- além de inibir a quimiotaxia de polimorfonucleares, amplia a disponibilidade de receptores na membrana celular, facilitando a interação de antigenos (Sojka et al.; 1990)
4) Antiinflamatória- a partir da década de 60 do século XX, essa propriedade tem sido considerada miraculosa e vastamente conhecida (Blythe, 1986; Brayton, 1986), resultando em mecanismos múltiplos (Alsup & Debowes, 1984; Sojka et al., 1990). O DMSO é bastante eficaz na inflamação aguda (Rose & Hodgon, 1993).
5) Diurética – essa propriedade pode compor o mecanismo pelo qual a droga reverte anomalias neurológicas decorrentes de traumatismos cranianos, sem serem observadas alterações eletrolíticas (Blythe et al. 1986; Sojka et al.,1990) em pacientes normovolêmicos.
6) Analgésica – deve-se indiretamente à propriedade antiinflamatória, e diretamente ao bloqueio químico da fibra C em nervos periféricos (Stone, 1993) além da ação central semelhante a morfina ( Brayton, 1986).
7) Miorrelaxante- associado ao efeito tranqüilizante e sedativo, tem sido observado em várias espécies (Stone, 1993). Essa propriedade sem dúvida decorre principalmente do conforto resultante das outras propriedades, ou seja, antiinflamatória e analgésica.
Toxidade e efeitos colaterais
A toxidade do DMSO é reconhecida baixa (Brayton, 1986; Stone 1993; Rose & Hodgson, 1993). A excreção principal é por via urinária. Para ocorrer efeitos colaterais como hemólise, hemoglobinúria, cólica e diarréia são necessárias concentrações acima de 20% de DMSO, o que é incomum na sua utilização como fármaco. Evidências indicam que o DMSO não é cancerígeno, podendo até ter valor na terapia do câncer (Brayton, 1986).
Vias de administração:
O DMSO pode ser administrado nos animais pela vias: tópica, oral, auditiva, ocular, intravenosa, intramuscular, intratesticular, intramuscular, intraarticular, intraperitoneal, intrauretral e intravesical (Alsup, 1984; Sojka et al., 1990; Stone, 1993; Bramlage, 1992; Rand et al. 1996; Alves 1997).
Referências
Adamson, J. E.; Horton, C. E.; Crawford, H. H.; Ayres J. R. The effects of dimethil sulfoxide on the experimental pedicle flap: a preliminary report. Plast Reconst. Surg., v.37, p.105-1110, 1966.
Alsup, E. M. Debowes, R. M.; Dimethil sulfoxide. J. Am. Vet. Med. Assoc. v.185, p.1011-1014, 1984.
Alves, G. E. S. Tratamento da periotonite experimental em eqüinos com a associação de dimetilsulfóxido, heparina e enrofloxacina: estudo clínico, cirúrgico e da patologia. Belo Horizonte: UFMG, Escola de Veterinária, 1997, 180p. Tese (Doutorado).
Blythe, L. L.; Craig, A. M.; Christensen J. M. Appel, L. H. Slizeski, M. L. Pharmacokinetic disposition of dimethyl sulfoxide administered intravenously to horses. Am. J. Vet. Res. V.47, p.1739-1743, 1986.
Bramlage, L. R. Medical treatment of tendonits. In: Robson, N. E. Current therapy in equine medicine. 3. Philadelphia Saunders. 1992, p.147.
Brayton, C. F. Dimethil sulfoxide ( DMSO) : a review. Cornell Vet. v.76-90, 1986.
Carpenter, R.J.; Angel, M. F.; Morgan, R. F. Dimethil sulfoxide increases the survival of primarily ischemic island skin flaps. Otolaring Head, 1994.
Rand, L. I.; Pommier, R. F. Williams S. T. Improved outcome of surgical flaps treated with topical dimethil sulfoxide. Ann. Surg, v.224, n.4, p.583-590, 1996.
Rosenbaum, E. E.; Herschel, R. J.; Jacob, S. W. Dimethil sulfoxide in muskulosketelal disorders. J. Am. Med. Assoc. v.192, p.309-313, 1965.
Rose R. J. Hodgson, D. R. Manual of equine practice. Philadelphia: Saunsders. 1993, 532p.
Sojka, E. J.; Kimmick, S. V.B.; Carison, G. P. Dimethil sulfoxide update- New applications and dosing methods. Proceed AM. Assoc. Equine Practit, v.36, p.683-690, 1990.
Stone, R. W. Clinical updates on the use of dimethil sulfoxide. Canine Pract, v.18, p.16-19, 1993.












