Matéria - Gazeta do Povo

09/08/2010

Castração química de cães volta à Câmara

Uma emenda ao projeto de lei que trata da Política Nacional de Controle de Natalidade de Animais de Rua abriu a possibilidade de que cães e gatos de rua sejam submetidos à esterilização química como forma de controle populacional. A modificação foi proposta pelo Senado ao aprovar o plano em tramitação no Con­gresso desde 2005.

O projeto original – do deputado federal paranaense Affonso Camargo (PSDB) – estabelecia apenas a castração cirúrgica, vetando qualquer outro procedimento veterinário. Por conta da modificação, que retirou o termo “cirúrgico” do texto, a proposta deve voltar à Câmara dos Deputados para ser novamente avaliada.

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Feita por meio da aplicação de injeções de gluconato de zinco nos testículos dos animais, a castração química em cães não é unanimidade na comunidade veterinária e entre as organizações de defesa animal. “Ainda precisamos que muitas perguntas sejam respondidas”, afirma a médica veterinária Emanoele Bittencourt Gerceski, da Clínica Vetsan. Segunda ela, as pesquisas são novas e muitas informações não foram divulgadas. “Não sabemos se o procedimento causa dor no animal, se apresenta risco de infecção ou se o medicamento causa câncer, por exemplo”, comenta.

Sem dor

De acordo com o médico veterinário Ricardo Lucas, diretor técnico da Rhobifarma, laboratório responsável pelo Infertile, primeiro medicamento do país que castra quimicamente cães machos, existem estudos internacionais que comprovam que o esterilizante químico à base de zinco não traz sofrimento ou anomalias aos animais. Ele acrescenta que uma pesquisa da Faculdade de Medicina Vete­rinária e Zootecnia da Uni­versidade Esta­dual Paulista (Unesp) mostrou que o desconforto após o procedimento é menor na castração química do que no pós-operatório da castração cirúrgica.

Fora isso o diretor técnico da Rhobifarma ainda afirma que a esterilização química custa cerca de 70% menos do que a convencional e viagra ser feita em ambiente ambulatorial. Em Curitiba, uma castração cirúrgica de machos pode variar de R$ 210 a R$ 350, conforme o porte do animal e sem gastos adicionais.

“Independente do nosso medicamento, a modificação da proposta sem restrição à forma de esterilização é uma boa notícia porque deixa aberta a possibilidade de aplicação de novas tecnologias que permitirão a realização de mais procedimentos com menos recursos”, comenta Lucas.

Educação para evitar o abandono

Para o coordenador da Rede de Defesa e Proteção Animal de Curitiba, Marcos Traad, não adianta pensar em esterilização, sem uma campanha de posse responsável. “A prefeitura não é contra a castração dos animais de rua, mas precisamos de um plano de contingência para que a população se conscientize e deixe de abandonar seus animais”, diz.

O projeto original, apresentado no Congresso pelo deputado Affonso Camargo (PSDB-PR), prevê campanhas educativas. Outra finalidade da proposta é acabar com a prática dos municípios de sacrificar cães e gatos apreendidos por “carrocinhas”. Para Camargo, esse método vem sendo abandonado no mundo e substituído pela esterilização dos animais, o que garante o controle populacional.

O objetivo do projeto é controlar a superpopulação de cães e gatos em localidade de baixa renda e com o risco de epidemias de doenças como raiva e toxoplasmose, transmitidas por animais.

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