30/06/2010
Rhobifarma responde informações incorretas publicadas em jornal de Tupã
Por Ricardo Lucas *
Em resposta à reportagem “Esterilização – ASPAT alerta sobre castração química”, publicada no Diário de Tupã no dia 12/04/10, a Rhobifarma, empresa responsável pelo medicamento Infertile, gostaria de esclarecer alguns pontos.
A superpopulação de cães e o consequente abandono é um problema de proporções mundiais. No Brasil, onde muitas vezes faltam recursos para suprir até mesmo necessidades básicas da população humana, a situação é ainda pior. São milhões de animais vagando pelas nossas cidades, principalmente nas periferias das metrópoles, transmitindo doenças, causando acidentes de trânsito e provocando mordeduras em crianças, entre outros reflexos preocupantes.
Atualmente, as soluções mundialmente aceitas e recomendadas são as campanhas de conscientização e a esterilização dos animais, seja por meio de procedimentos cirúrgicos ou químicos.
O Infertile, lançado em março de 2009, é fruto de seis anos de pesquisas de um grupo de renomados cientistas brasileiros ligados às Universidades de São Paulo e Federal de Campina Grande. Ou seja, o medicamento não foi desenvolvido no México. O que ocorre é que no México e nos Estados Unidos existem fármacos para o mesmo fim. Produtos estes, vale ressaltar, aprovados e certificados pelas respectivas agências reguladoras, como, por exemplo, o rigoroso FDA (Food and Drug Administration).
O Infertile foi devidamente aprovado e registrado (licença nº 9.427/2008) no MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), órgão federal responsável pela certificação deste tipo de medicamento no Brasil. Para isso foram realizados diversos testes de segurança como eficácia e estabilidade, todos com significância estatística.
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Trata-se de uma solução injetável, de fórmula exclusiva, cujo ingrediente principal é o zinco, substância que faz parte da composição do plasma seminal e dos tecidos do órgão reprodutor dos cães. Uma dose do produto torna 100% dos animais inférteis em menos de 30 dias.
Sobre a falta de exigência de um veterinário na hora da aplicação, essa informação está incorreta. O Infertile só pode ser aplicado por um médico veterinário ou sob a supervisão de um, tanto que o produto não é vendido para o consumidor final.
Em relação à dor que o animal sentiria, foi desenvolvido pela FMVZ (Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia) da Unesp de Botucatu (SP) um protocolo que prevê que seja aplicado 30 minutos antes da castração química, por via intramuscular, Acepromazina na dose de 0,025 mg/kg, um medicamento barato e de uso comum. Nos testes realizados com esse protocolo não foram identificados sinais de dor significativa que obrigassem o uso de fármacos adicionais (analgésicos).
A respeito da quantidade de animais usados nos seis anos que durou a fase de pesquisas, o número correto é 97. Os 11 cães citados pela senhora Osmarina, da ASPAT, se referem a apenas um dos trabalhos científicos publicados internacionalmente. Vale lembrar, no entanto, que este número foi embasado por especialistas em bioestatística da Universidade Federal de Campina Grande (PB). Outro ponto importante é que a Rhobifarma adota todos os princípios internacionais de bioética e não usa em suas pesquisas mais animais do que o estritamente necessário do ponto de vista estatístico.
Já a afirmação de que o Infertile provocaria câncer no longo prazo é totalmente infundada. O zinco é testado em outros países há mais de 20 anos como método contraceptivo em cães machos sem apresentar qualquer tipo de alteração indesejada. Trata-se de uma substância presente no sistema reprodutor de animais e humanos e essencial para o metabolismo. Além disso, segundo pesquisas científicas é um componente não-carcinogênico, não teratogênico e não mutagênico, ou seja, não causa câncer nem mutações no DNA.
Sobre a ausência de contra-indicações da castração cirúrgica gostaria de lembrar que, como em qualquer cirurgia, existem riscos sim, principalmente os relacionados a aplicação da anestesia e as comuns complicações de pós-cirúrgico. Entretanto, o Infertile não nasceu para concorrer com outros métodos e sim para agregar forças em uma importante luta, o controle da superpopulação de cães.
Em linhas gerais o produto substitui um procedimento cirúrgico por um ambulatorial. Campanhas de castração com o uso do Infertile, por exemplo, podem ser feitas no campo, sem a necessidade de anestesia nem os cuidados típicos de um pós-operatório.
Outras vantagens são o custo, cerca de 70% inferior a uma cirurgia, e a manutenção da estrutura anatômica do testículo, fato importante para muitos proprietários.
Desde o lançamento oficial, em março de 2009, milhares de cães já foram esterilizados com o Infertile em diversas cidades brasileiras e sem o registro de complicações ou efeitos colaterais. Para finalizar, é importante citar que, devido a importância do tema, o CRMV-SP (Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo) se pronunciou oficialmente informando, em linhas gerais, que os resultados obtidos com o uso do Infertile “tem sido muito favoráveis e o produto representa uma alternativa nacional de interesse para a saúde pública veterinária e é indicado, particularmente, para o controle da reprodução dos cães de companhia das populações de baixa renda.”
*Médico veterinário e diretor técnico da Rhobifarma













